Pelagem · 8 min de leitura
Cachorro soltando muito pelo: o que é normal e como escovar do jeito certo
Cachorro soltando muito pelo? Saiba o que é troca normal, o que pode indicar problema de pele ou de nutrição e como escovar do jeito certo cada tipo de pelagem.
Neste guia 11 tópicos
Cachorro soltando muito pelo nem sempre é sinal de problema: todo cão troca o pelo velho por pelo novo, e muitos soltam bem mais na mudança das estações, principalmente os de subpelo denso. A queda preocupa quando vem com falhas no pelo, áreas sem pelo dos dois lados do corpo, coceira, vermelhidão, crostas ou feridas, e aí o caminho é o veterinário. No dia a dia, o que mais reduz o pelo espalhado pela casa é a escovação certa para o tipo de pelagem, feita com a frequência certa. A seguir você entende o que é normal, quais sinais pedem atenção e como escovar cada tipo de pelo.
Troca de pelo: o que é normal e quando acontece
O pelo cresce em ciclos. Cada fio passa por uma fase de crescimento, uma de transição e uma de repouso, até cair e dar lugar a um fio novo. Por isso, soltar algum pelo todos os dias é esperado. Segundo o Manual Veterinário Merck, os animais trocam o pelo em resposta a mudanças de temperatura e de duração do dia, e a maioria solta mais no começo da primavera e do outono. No Brasil, a primavera começa em setembro e o outono, em março. Em regiões onde as estações são pouco marcadas, a troca pode ser menos concentrada.
O mesmo manual lembra que nutrição e hormônios também influenciam o crescimento do pelo. É por isso que fêmeas podem soltar mais pelo na gestação e na amamentação, e que uma queda temporária pode aparecer algumas semanas depois de uma doença grave ou de febre, como descreve a página do Merck sobre queda de pelo em cães.
A regra prática do Merck é clara: se a queda não vem acompanhada de falhas nem de perda de pelo simétrica, provavelmente é só a renovação natural da pelagem.
Raças que soltam mais pelo
A quantidade de pelo no chão depende muito do tipo de pelagem. Cães com pelagem dupla têm uma camada externa, de fios mais grossos, e um subpelo macio e denso por baixo. É esse subpelo que sai em tufos na época da troca.
| Tipo de pelagem | Exemplos de raças | Quanto solta |
|---|---|---|
| Dupla e densa | husky siberiano, malamute, pastor-alemão, golden retriever, chow chow, akita, lulu da Pomerânia | muito, com picos fortes na troca |
| Curta com subpelo | labrador, beagle, pug, corgi | bastante, o ano todo, com picos |
| Curta sem subpelo | pinscher, boxer, dobermann | pouco a moderado |
| Longa de crescimento contínuo | poodle, shih-tzu, yorkshire, maltês | pouco no chão, mas embola |
Os cuidados de escovação das raças mais comuns no Brasil estão no nosso guia de raças, com perfis como o do golden retriever. Vira-latas misturam tudo isso, então observe o pelo do seu cão: se, ao afastar os fios, você vê uma camada fofinha e densa perto da pele, ele tem subpelo.
Mito: “raça que solta pouco pelo não dá alergia”. Um estudo holandês que mediu o principal alérgeno do cão no pelo e dentro das casas não encontrou evidência para chamar qualquer raça de hipoalergênica (Vredegoor e colaboradores, 2012). Soltar menos pelo deixa a casa mais limpa, mas não garante nada para quem tem alergia.
Quando a queda não é normal: sinais de alerta
Procure o veterinário se notar qualquer um destes sinais:
- falhas, “buracos” ou áreas sem pelo, principalmente se aparecem dos dois lados do corpo de forma parecida;
- coceira, lambidas ou mordidas constantes nas patas, na barriga ou na base do rabo;
- pele vermelha, com bolinhas, crostas, caspa intensa, feridas ou cheiro forte;
- pelo opaco, quebradiço ou que não cresce de volta depois da tosa;
- pulgas ou carrapatos, mesmo poucos;
- queda junto com outros sinais, como ganho de peso sem explicação, cansaço, muita sede ou muito xixi.
O Manual Merck cita, entre as causas de queda anormal, infecções por bactérias, fungos e parasitas, alergias e alterações hormonais, como o hipotireoidismo. Só o veterinário consegue diferenciar uma da outra, muitas vezes com exames simples de pele. Não use pomadas, remédios contra sarna ou xampus medicamentosos por conta própria: além de não resolver, eles podem mascarar o problema e atrasar o diagnóstico.
Alimentação e pelagem
Pele e pelo refletem a alimentação. Na triagem nutricional recomendada pela WSAVA, a Associação Veterinária Mundial de Pequenos Animais, pele ou pelagem em mau estado aparece entre os sinais de risco, ao lado da mudança de peso sem explicação e da condição corporal fora do ideal (WSAVA Nutritional Assessment Guidelines). E o Manual Merck cita a deficiência de nutrientes, principalmente de proteína, entre os fatores que atrapalham o crescimento do pelo.
Na prática:
- Dê um alimento completo e equilibrado para a fase de vida do cão. Na embalagem, procure a indicação de que é um alimento completo, e não um petisco ou complemento.
- Evite dietas caseiras sem orientação. A própria WSAVA recomenda que a dieta feita em casa seja avaliada ou formulada por um veterinário especialista em nutrição, para não faltar nada.
- Troque de ração aos poucos, misturando a nova à antiga ao longo de alguns dias, para não causar diarreia.
- Suplemento só com receita. Ácidos graxos como o ômega-3 podem ser indicados pelo veterinário em alguns problemas de pele, mas a dose e a necessidade dependem do caso.
Nenhuma ração “acaba” com a troca de pelo, porque ela é natural. Se estiver avaliando uma mudança de alimento, veja as opções em ração para cachorro e leve a embalagem na próxima consulta.
Como escovar cada tipo de pelo
Escovar tira o pelo morto antes que ele caia no sofá, espalha a oleosidade natural da pele e ajuda você a notar feridas, carrapatos e caroços cedo. Use a tabela como ponto de partida e ajuste ao seu cão:
| Pelagem | Ferramenta | Frequência sugerida |
|---|---|---|
| Curta sem subpelo | luva de borracha ou escova de cerdas macias | 1 vez por semana |
| Curta com subpelo | rasqueadeira ou escova tira-pelos | 2 a 3 vezes por semana; diária na troca |
| Dupla e densa | ancinho de subpelo, rasqueadeira e pente | várias vezes por semana; diária na troca |
| Longa de crescimento contínuo | rasqueadeira e pente de dentes largos e finos | quase todos os dias, para não embolar |
Passo a passo
- Escolha um momento calmo, depois de um passeio, e um lugar fácil de limpar, como a varanda ou a área de serviço.
- Comece pelas áreas que ele aceita bem, como o dorso, e deixe barriga, patas e rabo para quando ele estiver relaxado.
- Escove na direção do pelo, com movimentos curtos e leves. A escova não deve arranhar a pele: teste no seu próprio braço.
- Nos cães de subpelo denso, trabalhe em camadas. Levante uma parte do pelo com a mão e escove a camada de baixo, avançando aos poucos. É assim que o subpelo solto realmente sai.
- Desfaça nós com calma, segurando o pelo perto da pele para não puxar. Nós muito apertados são trabalho para o banho e tosa profissional.
- Termine com um petisco e encerre a sessão antes que ele se canse. Várias sessões curtas funcionam melhor que uma longa e cheia de brigas.
Uma escova tira-pelos autolimpante, com cerdas finas que alcançam o subpelo e um botão que solta o pelo acumulado, agiliza bastante a escovação de cães de pelo curto e médio.
Tosar resolve?
Não. A tosa deixa os fios mais curtos, mas o pelo continua trocando. Em cães de pelagem dupla, raspar rente ainda tem um risco: o pelo pode demorar muito para crescer de novo. O manual de dermatologia veterinária da Universidade de Minnesota descreve essa alopecia pós-tosa: o esperado é o pelo voltar em 3 a 4 meses, mas em alguns cães, com mais frequência os de pelagem densa e volumosa, o crescimento completo só acontece depois de 12 a 24 meses (Universidade de Minnesota). Para cães de subpelo, prefira a escovação frequente e, se quiser, uma tosa higiênica.
Banho: frequência e cuidados
Não existe uma frequência única de banho para todos os cães: ela depende da pelagem, da rotina e da pele de cada um, e o veterinário pode orientar no caso do seu. Alguns cuidados valem para todos:
- Escove antes do banho. Pelo embolado que molha fica ainda mais preso.
- Use xampu próprio para cães, e medicamentoso só com receita. Produtos para gente não são feitos para a pele deles.
- Enxágue muito bem. Resto de xampu irrita a pele.
- Seque até o subpelo. Umidade presa junto à pele favorece irritações. Se usar secador, deixe em temperatura morna e a uma boa distância.
- Não exagere. Banho demais pode ressecar a pele. Para o pelo solto, a escovação funciona melhor que o banho extra.
Na época da troca, um banho seguido de uma boa escovação, com o pelo já seco, ajuda a soltar de uma vez muito subpelo morto.
Menos pelo pela casa
Enquanto a troca não passa, alguns hábitos ajudam:
- escove sempre no mesmo lugar, de preferência fora da sala;
- cubra o sofá e a cama com uma manta lavável onde o cão costuma deitar;
- passe um removedor de pelos reutilizável no estofado e nas roupas, sem gastar com refil adesivo;
- aspire o chão com frequência e passe pano úmido, que segura o pelo em vez de espalhá-lo.
O passo a passo para cada superfície está no guia como tirar pelo de cachorro do sofá, e outros acessórios de escovação e banho estão em higiene e beleza.
Quando procurar o veterinário
Vá ao veterinário se a queda vier com falhas, coceira, vermelhidão, feridas, crostas ou mau cheiro; se o pelo não voltar a crescer; se o cão estiver se lambendo ou se coçando muito; ou se aparecerem outros sinais, como mudança de peso, cansaço ou muita sede. Leve informações que ajudam no diagnóstico: quando a queda começou, se houve troca de ração, de xampu ou de ambiente, e quais antipulgas o cão usa.
Conclusão
Pelo no chão, na maioria das vezes, é só a renovação natural da pelagem. Conheça o tipo de pelo do seu cão, escove com a ferramenta e a frequência certas, capriche na alimentação e deixe a tosa rente de lado nos cães de subpelo. Se a queda vier com falhas, coceira ou feridas, não espere: o veterinário é quem descobre a causa.
Perguntas frequentes
É normal o cachorro soltar muito pelo?
Sim, dentro de certos limites. Todo cão troca o pelo velho por pelo novo, e muitos soltam bem mais na mudança das estações. O que não é normal é aparecerem falhas, áreas sem pelo dos dois lados do corpo, coceira, vermelhidão, crostas ou feridas. Nesses casos, leve ao veterinário.
Quanto tempo dura a troca de pelo do cachorro?
Varia de cão para cão, com a raça, o clima e a saúde. Em cães de subpelo denso, como husky, pastor-alemão e lulu da Pomerânia, o pico de queda costuma durar algumas semanas. Se a queda forte se estender muito além disso ou vier com falhas e coceira, vale uma consulta.
Tosar o cachorro diminui a queda de pelo?
Não. O pelo continua trocando, só que em fios mais curtos. Em cães de pelagem densa, a tosa rente ainda pode atrapalhar o crescimento: em alguns casos, o pelo leva mais de um ano para voltar por completo. Escovar com frequência resolve melhor a queda do que raspar.
Com que frequência devo escovar meu cachorro?
Depende da pelagem. Como ponto de partida, cães de pelo curto sem subpelo vão bem com uma escovação por semana; cães de subpelo denso pedem várias por semana e, na época da troca, escovação diária. Pelos longos que embolam também precisam de cuidado quase diário.
Existe ração que acaba com a queda de pelo?
Nenhuma ração acaba com a troca, que é natural. Uma alimentação completa e equilibrada ajuda a manter a pele e o pelo saudáveis, e a falta de nutrientes, principalmente de proteína, prejudica o crescimento do pelo. Suplementos, como os de ômega-3, só com orientação do veterinário.
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